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Mulheres rockeiras: trajetória no underground curitibano: 1990-2020

Histórias, lutas e acordes que revelam o protagonismo feminino na cena musical curitibana.

Mulheres rockeiras: trajetória no underground curitibano: 1990-2020
As Diabatz - Foto: Billy Tombstone

Em meio às esquinas frias e sonoras de Curitiba, pulsa uma história que por muito tempo ficou à margem: a trajetória das mulheres no rock underground da capital paranaense. Agora, essa narrativa ganha luz graças à pesquisa da cientista social Carolina de Andrade Cardoso, que dedicou sua dissertação de mestrado à reconstrução de três décadas de memórias femininas na cena musical curitibana.


O estudo, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Antropologia e Arqueologia da UFPR, mergulha nas vivências de artistas como Acácia, Hortênsia e Violeta — nomes fictícios que representam vozes reais. Em entrevistas que mesclam formalidade e afeto, elas compartilham o impacto do primeiro contato com um instrumento, os ensaios improvisados em garagens e os vínculos de amizade que sustentaram suas jornadas musicais.


Mas o rock não foi apenas palco de conquistas. A pesquisa revela também os desafios enfrentados por essas mulheres: episódios de abuso, conflitos internos, preconceitos por serem LGBTQI+ e os impactos da maternidade na continuidade das carreiras. A maternidade, em especial, surge como um divisor de águas, exigindo reinvenções pessoais e profissionais para permanecerem nos palcos.


Além dos relatos, Carolina realizou um mapeamento inédito de bandas curitibanas majoritariamente femininas, desde os anos 1990 até hoje. Entre elas, destacam-se nomes como As Diabatz, Domperidhona e As Garçonetes, que resistem e reinventam o cenário musical local.


A escolha do tema não foi aleatória. Carolina é baterista e há mais de duas décadas frequenta a cena do rock curitibano. Sua vivência como artista e pesquisadora confere ao trabalho uma profundidade rara, que conecta teoria e prática com autenticidade.


Em 2025, Curitiba foi oficialmente reconhecida como a “Cidade Mais Rock and Roll do Brasil” — título que celebra não apenas os ícones consagrados como Relespública, mas também as vozes femininas que, por muito tempo, ecoaram nos porões da cidade. Hoje, essas vozes ganham o palco e, com elas, uma nova história do rock curitibano começa a ser contada.

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