cover
Tocando Agora:

The Cramps | Sedento... Por Gravest Gravy!

Disco novo e música inédita? Confira a tradução deste super artigo!

The Cramps | Sedento... Por Gravest Gravy!
The Cramps | Sedento... Por Gravest Gravy! (Foto: Reprodução)


Tradução: Diego Carreiro

Uma coisa que detesto é quando vejo alguma manchete na internet berrando: "Confira esta (insira aqui o nome de uma pessoa, lugar ou coisa) que VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR ANTES!" Porque, quando você inevitavelmente clica para ler o artigo, percebe que a pessoa, o lugar ou a coisa que você supostamente nunca deveria ter ouvido falar ou visto antes é algo que você já conhecia, já tinha ouvido falar ou já tinha visitado.

Mas... neste caso…

Primeiro, vamos ao que interessa: você NUNCA ouviu o que está gravado aqui. Você não tem um LP pirata; seu tio descolado não tem uma fita cassete guardada no fundo do armário; você nunca ouviu isso na festa de aniversário de um DJ maneiro em Bushwick; você não baixou de algum blog no final dos anos 90: este é o verdadeiro achado. É um álbum autêntico, cheio de músicas dos Cramps que você nunca ouviu! Bem, para ser mais específico, são gravações mixadas e masterizadas que você nunca ouviu antes, além de algumas faixas que nunca foram gravadas em estúdio nem lançadas por esta formação. Entendeu? Então não fique de fora: “Conhecimento ancestral! Dado como perdido para o mundo!! Agora pode (realmente) ser SEU!”

Não me lembro onde ouvi falar de Gravest Gravy pela primeira vez, mas Lux e Ivy mencionaram o projeto em alguma entrevista. Era um álbum inteiro de músicas gravadas na época em que eles estavam no Ardent Studios com Alex Chilton, registrando o material que daria origem aos seus primeiros singles. Lembro-me de ter pensado na época: “Sim! É com isso que todos nós sonhamos há anos!” Parecia que, durante décadas, toda banda ruim lançava box sets de raridades, com takes descartados e gravações ao vivo. Por que os Cramps não podiam fazer algo parecido? Os fãs estavam prontos, babando e esperando por algo assim!

Gravest Gravy tornou-se um nome lendário, sussurrado durante décadas pelos fãs mais fervorosos dos Cramps. Será que ele realmente existia? O que era, afinal? Seria um álbum? Um box de vídeos? Os rumores corriam soltos pela internet. Ser nerd, talvez sonhar…

Em 2004, os Cramps lançaram o CD duplo How To Make A Monster e, finalmente, tivemos um lançamento oficial reunindo demos e raras gravações ao vivo. Talvez as comportas tivessem se aberto e mais tesouros e raridades estivessem a caminho? Mas não era para ser. Os fãs ganharam apenas mais um (excelente) álbum, Fiends of Dope Island, e foi só.

How to Make a Monster (2004)

Fiends of Dope Island (capa do CD - 2003)
Até agora.

Gravest Gravy nasceu da gosma verde borbulhante do caldeirão da rebeldia! Fermentou por tempo suficiente na lama e na gosma da história do rock and roll e agora está aqui para todos nós pirarmos. E você vai pirar, eu garanto. Nessas faixas estão os sons adolescentes mais selvagens e psicóticos.

O que você recebe neste belo pacote são 12 músicas gravadas pela banda em 1977, com Alex Chilton atrás da mesa de som, quando a banda estava no auge da sua energia criativa. Antes dos contratos com gravadoras e das turnês mundiais. Está tudo aqui: a visão distorcida e inspirada deles sobre como deveria soar o rockabilly "moderno".

Ouvir as músicas que compõem o álbum em suas várias formas, no caminho até serem prensadas em vinil, é algo bastante difícil de descrever. Eram faixas que eu sonhava ouvir há muito, muito tempo. Primeiro vieram os arquivos brutos, sem masterização, em seu estado "puro". Um som incrível, porque quem imaginaria que essas músicas algum dia veriam a luz do dia? Depois chegaram, algum tempo mais tarde, os arquivos masterizados. Por melhor que os arquivos originais soassem, as versões masterizadas eram como noite e dia. O passo final dessa jornada foi a chegada de uma prensagem de teste. Como diz a letra da versão de "The Natives Are Restless" do Gravest Gravy, meu "corpo começou a tremer, meus joelhos começaram a balançar" quando coloquei o vinil para tocar pela primeira vez. Nem preciso dizer que o disco superou em muito minhas expectativas, que já eram altíssimas. O fato de Gravest Gravy existir — e ainda por cima estar prestes a ser lançado — é completamente surreal.

Memphis Poseurs (bootleg - 2010)

Comecei a escrever esta resenha meses atrás, depois do anúncio oficial. Eu sabia que queria colocar meus pensamentos no papel e, em algum momento, publicar a resenha no meu blog. Entre a escrita desta resenha e sua publicação, todos os pessimistas e falastrões apareceram de suas tocas (onde mais seria? Na internet). Não importava o que você dissesse, nada conseguia convencê-los de que não tinham ouvido tudo antes.

Tomando isso como um desafio, mergulhei fundo em alguns bootlegs que diziam ter sido gravados no Ardent Studios em 1977. Das poucas músicas que aparecem nesses bootlegs e em Gravest Gravy, posso afirmar com 100% de certeza que quase todas as músicas de Gravest Gravy nunca foram lançadas de nenhuma forma. A maior parte das músicas de Gravest Gravy nem sequer aparece nesses bootlegs.

Isso deixa a faixa de abertura como uma exceção, pois, sem dúvida, todos vocês já a ouviram. Parece que a versão de "TV Set" que abre Gravest Gravy pode ter aparecido antes em alguns lugares. Mais notavelmente, na prensagem francesa de Songs the Lord Taught Us. Mas vou dizer uma coisa: a mixagem de Gravest Gravy é incrível. Os bootlegs que circulam por aí têm um chiado de fita que faz parecer que você está de pé ao lado das Cataratas do Niágara. Todas as músicas de Gravest Gravy soam incríveis. Está tudo lá: os solos fortes e firmes de Ivy, os solos de guitarra estridentes de Bryan e a bateria precisa, quase como um metrônomo, de Nick. E, claro, Lux está em plena forma; em um ou dois momentos, dá até para ouvi-lo gritando longe do microfone (um momento incrível que não vou estragar para vocês, mas que acontece perto do final do lado A).

Songs The Lord Taught Us (1980)

Falando dos lados do álbum, Gravest Gravy é um disco sem lado fraco. Quando a última música do lado B terminar, garanto que você vai querer virá-lo e continuar ouvindo, de novo e de novo, sem parar. Este é o sinal de um grande disco: um disco que muitos fãs fervorosos dos Cramps esperavam há anos e que nunca pensamos que chegaríamos a ver!

Vou deixar que vocês descubram mais sobre as gravações propriamente ditas nas notas de encarte de Henry Rollins que acompanham o disco, mas vamos ao disco em si.

Você se lembra da primeira vez que ouviu os Cramps? Aposto que sim. Acho que a maioria dos fãs de longa data se lembra daquela primeira vez em que ouviu a banda que mudaria para sempre suas vidas e a maneira como ouviam música. Agora você pode quase recriar essa sensação com Gravest Gravy. Quando ouvir as primeiras batidas de "TV Set", será instantaneamente transportado de volta àquele momento. Se Gravest Gravy for sua primeira experiência com os Cramps, aproveite e prepare-se para começar a viver "de forma diferente". Há um mundo inteiro para descobrir.

Antes que seu cérebro consiga processar o que está ouvindo, a segunda música explode: finalmente, uma versão de estúdio de "Weekend on Mars"! Antes disponível apenas como gravação ao vivo em algumas versões de Smell of Female, "Mars" é um MONSTRO de música. Por algum motivo, "Weekend on Mars" acabou se transformando em uma música que os Cramps chamaram de "The Lowdown" (em que Lux incorporou Pete "Mad Daddy" Myers, mudou a letra e improvisou rimas nas versões ao vivo que ouvi). Estou muito feliz por finalmente ter uma versão de estúdio da música com Bryan na guitarra. A interação entre as guitarras de Ivy e Bryan é TUDO nessa faixa.

Não vou passar por cada música do álbum; você terá essa experiência em breve. Mas, para mim, Gravest Gravy é uma das melhores demonstrações de como os Cramps entendiam o rockabilly, daquilo que o rockabilly deveria ter se tornado com o passar do tempo. Rockabilly não era sobre moda; era sobre selvageria e a paixão insana de criar algo e fazer as pessoas se mexerem. Gravest Gravy vai fazer você se mexer, sem dúvida alguma.

Meus mais sinceros e profundos agradecimentos vão para: (a artista anteriormente conhecida como) Ivy, Larry Hardy, Jimmy Maslon, Henry Rollins, Ian MacKaye e todos os outros envolvidos na realização deste projeto. Como venho dizendo desde o anúncio, o legado dos Cramps está em ótimas mãos, e o que está por vir vai deixar todos os fãs da banda de boca aberta.

Os Cramps: de volta da sepultura e prontos para continuar influenciando seres humanos enquanto estivermos por aqui…

O dia 21 de agosto não chega nunca!

Kogar the Swinging Ape, julho de 2026
Nota do tradutor: o autor do texto informa que recebeu autorização para tocar uma faixa inédita de Gravest Gravy em seu próximo programa. O episódio 151 irá ao ar no dia 24 de julho de 2026, através de seu canal no Mixcloud. Fiquem atentos!

Kogar the Swinging Ape é colecionador, DJ, organizador de compilações musicais, blogueiro, músico ocasional e fanático pelos Cramps em tempo integral. Já se apresentou como DJ em Boston, Nova York, Filadélfia, Los Angeles, Tóquio e outras cidades. É o criador e curador de Lux and Ivy's Favorites, compilação que reúne músicas citadas por Lux Interior e Poison Ivy ao longo dos anos em diversas entrevistas. Ao lado da esposa, coordena a organização beneficente Lux Lives East Coast, que promove eventos anuais em homenagem à vida de Lux Interior e já arrecadou mais de US$ 40 mil para a Best Friends




Kogar

Animal Society, em nome do cantor. Atualmente, apresenta Kogar's Jungle Juice, programa dedicado à música das décadas de 1950 e 1960 na Boss Radio 66.

Lux and Ivy's Favorites (download dos 20 volumes): https://tinyurl.com/355vpv66

Gravest Gravy (frente - 2026)

Gravest Gravy (verso - 2026)
Este artigo já foi lido contador free vezes.

Comentários (0)